Notícia
02/10/2013

TAQUARAS TEM UMA SANTA, MÁRTIR DA VIRGINDADE

Texto: Jonei Bauer

Há cinquenta anos ocorreu um assassinato, bárbaro e intrigante, e que aos poucos vai se apagando da História de Rancho Queimado. Era novembro de 1961 e em Santo Amaro da Imperatriz, naquela noite foi brutalmente morta a golpes de machado Maria Amida Kamers – que a posteriori ficou conhecida como a mártir da virgindade.

Maria Amida era uma jovem bela, cheia de vida e de consistentes princípios religiosos, nascida na localidade de Rio Acima, no Distrito de Taquaras. A moça queria estudar e para isso precisou se submeter ao trabalho de doméstica na casa de importantes comerciantes do município vizinho, Santo Amaro da Imperatriz.

Segundo relatos, houve por aqueles tempos muitas chuvas e enchentes e uma onda de assaltos se espalhou por Santo Amaro. A casa onde Maria Amida trabalhava também não foi poupada dos saques. Os ladrões adentraram a residência e, nela, o quarto onde a jovem dormia e, de posse de um machado roubado de uma das casas assaltadas, atacaram barbaramente Maria Amida, deixando seu crânio esfacelado, ao golpe de cinco machadadas.

Na manhã seguinte a notícia, em poucos minutos, tomou toda a população de Santo Amaro; e muitos vieram pessoalmente inteirar-se do acontecido. O povo se revoltou e queriam saber quem fizera tal crueldade. Por que motivo alguém teria tirado a vida de Maria Amida? À época surgiram duas hipóteses: a de que a jovem tivesse resistido a uma tentativa de estupro ou a de que ela tivesse reconhecido os assaltantes.

Após necropsia e atestada pelo legista a sua morte, Maria Amida foi velada em Santo Amaro e mais adiante seu corpo seguiu serra acima até a casa dos seus pais, em Taquaras, onde foi velado por toda a madrugada e sepultado no dia seguinte no cemitério católico. Os boatos da sua resistência ao estupro ganhavam forças e muitos afirmavam que durante seu velório, jorrava sangue do corpo da moça.

Na missa de sétimo dia, milhares de pessoas vindas de Santo Amaro da Imperatriz compareceram e a missa precisou ser campal porque a capela não comportou tantas pessoas. Também em Santo Amaro foi realizado uma missa de sétimo dia.

E do inquérito policial, após esse episódio, pouco se soube. Talvez tenha sido arquivado… Corre evidências de que o crime foi motivado por amor passional e o assassino, filho de influentes da cidade vizinha, forjou a própria morte com a ajuda das autoridades e sumiu da região por longos anos.

Nesse ínterim, a notícia do acontecido se espalhou e Maria Amida se tornou objeto de devoção de centenas de pessoas que mensalmente se dirigiam ao seu túmulo, suplicando sua intercessão. O tempo foi passando e a memória de Maria Amida, aliada à versão de que teria preferido morrer a perder a virgindade, tomava proporções sempre maiores; inclusive uma fotografia sua foi reproduzida e distribuída entre os interessados. Todo mundo queria uma foto de Amida; quase todas as casas, em Santo Amaro, tinham uma fotografia dela.

Hoje, esquecido pelo tempo, encoberto pelas autoridades, somente os de mais idade é que se lembram desses fatos. Mas seu túmulo está lá, no cemitério católico de Taquaras, e ali podemos ainda perceber manifestações de fé e devoção à moça, que ficou conhecida como a mártir da virgindade, considerada por muitos uma santa catarinense.

Agradecimentos: Toni Jochem, historiador e escritor, membro da Academia de Letras de Santo Amaro da Imperatriz, sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e funcionário da Prefeitura Municipal de Águas Mornas-SC.
Sou agradecido pela cedência de material - textos e fotos, fontes da minha pesquisa.

Fonte: http://www.portaldorancho.com.br/colunistas/cemiterio-em-taquaras-tem-uma-santa-martir-da-virgindade

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